Resenha de Crônicas Marcianas de Ray Bradbury

-

Não é segredo para ninguém que o mestre Bradbury, que nos trouxe a obra prima chamada de “Fahrenheit 451”, é um gênio em relação aos seus contos. Todos com finais surpreendentes, com premissas instigantes, sempre explorando um lado diferente da psique dos personagens como já vimos em “Enquanto a Cidade Dorme e outras histórias”. Agora, Bradbury nos conta com seu humor peculiar, uma colonização terráquea em Marte através de diferentes perspectivas viajando no tempo e no espaço.


Editora: Biblioteca Azul Crônicas Marcianas de Ray Bradbury
Páginas: 296
Ano de publicação original: 1960

Sinopse:

Publicadas originalmente em revistas de pulp fiction, no final dos anos 1950, nos Estados Unidos, As crônicas marcianas foram reunidas num livro por seu autor, no início dos anos 1960, e interligadas por pequenas costuras narrativas. As crônicas acabaram formando emocionante panorama imaginário da chegada do homem a Marte e da colonização do planeta pela espécie humana. Livro que pode ser visto como um romance fragmentado ou uma seqüência conceitual de contos.


Temos neste compilado 27 momentos desta história que se inicia em Janeiro de 1999 e termina em Outubro de 2026. Começando a partir de uma perspectiva marciana, vemos que os nativos do planeta vermelho reconhecem que algo estava para acontecer e que, ao mesmo tempo, a inquietude que eles sentiam já era um prenúncio trágico do fim de uma era. Logo após, Bradbury nos mostra as três tentativas de colonização, as famosas expedições, onde a cada tentativa, os humanos são confrontados de diversas maneiras e, acabam tragicamente, fracassando.

Porém, os esforços não foram em vão e os humanos continuaram a partir do planeta azul para o vermelho, já que a Terra não estava indo bem. Guerras e ideologias perigosas transformavam este planeta em algo danoso demais para se viver. Inclusive, um conto que discorre muito bem sobre tudo de ruim que está presente em nosso planeta – além do conto final – é o chamado Flutuando no Espaço, onde Bradbury mostra como o nojento racismo não pode impedir o progresso de toda uma comunidade que em um esforço conjunto, ruma à Marte.

Contudo, além dos dilemas marcianos que são misteriosos e assombrosos, os humanos precisam lidar com a iminente guerra final que irá acontecer na Terra. Muitos humanos acabam indo embora de uma vida nova que tinham em Marte para voltar para o nosso pequeno planeta e lutar mais uma vez por suas casas antigas. Bela analogia de Ray Bradbury em tempos de consequências da Segunda Guerra Mundial para falar de patriotismo, imigração e senso de responsabilidade.

Gostaria de discorrer mais sobre os contos que brincam com questões de telepatia e insanidade, tecnologia desenfreada, até onde o luto pode levar as pessoas em suas últimas consequências, porém, estas surpresas você terá por conta própria. A escrita deste senhor é fluída, instigante, viciante e irá te fazer querer ir até o final sem temer os seus finais trágicos. Bela adição a qualquer estante.

Caíque Apolináriohttp://bookstimebrasil.com.br
Escritor de três livros de ficção em conjunto com a Raquel Cortez Machado e host com a voz mais sedosa da podosfera. Viciado em café, multi tarefas e o suporte de toda a equipe.

Compartilhe

Posts Recentes

Mais postagens

Recent comments