Macondo. Uma pequena aldeia fundada às margens de um rio, isolada do mundo por montanhas e pântanos. Ali nasce, cresce e morre a família Buendía através de sete gerações, carregando nomes repetidos, amores impossíveis e uma maldição que persegue cada membro: a solidão. Mas como uma história sobre isolamento pode ser tão vibrante, épica e repleta de vida?
Editora Record 
448 Páginas
Sinopse:
Em Cem anos de solidão, um dos maiores clássicos da literatura, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.
Em nenhum outro livro García Márquez empenhou-se tanto para alcançar o tom com que sua avó materna lhe contava os episódios mais fantásticos sem alterar um só traço do rosto. Assim, ao mesmo tempo em que a incrível e triste história dos Buendía pode ser entendida como uma autêntica enciclopédia do imaginário, ela é narrada de modo a parecer que tudo faz parte da mais banal das realidades.
Cem Anos de Solidão é a obra-prima do colombiano Gabriel García Márquez, publicada em 1967, que narra a saga da família Buendía desde a fundação de Macondo até seu apocalipse profético. José Arcádio Buendía, o patriarca fundador, é um homem obcecado por invenções e descobertas. Sua esposa, Úrsula Iguarán, é a força matriarcal que mantém a família unida por mais de um século. Os filhos, netos e bisnetos repetem padrões, paixões e erros em um ciclo aparentemente infinito.
García Márquez tece sua narrativa com o realismo mágico – gênero literário que ele ajudou a popularizar mundialmente. Em Macondo, uma mulher ascende aos céus enquanto estende roupas, chuvas duram anos sem parar, mortos conversam com vivos como se nada fosse, e pragas de insônia fazem toda a cidade esquecer os nomes das coisas. O autor brinca com a fantasia de forma tão natural que o extraordinário se torna cotidiano. Não há espanto exagerado, apenas aceitação – exatamente como lidamos com absurdos na América Latina.
E é aí que o livro ressoa tão profundamente com leitores brasileiros. As vivências retratadas – o coronelismo, as guerras civis intermináveis, a exploração por empresas estrangeiras, a violência política, o machismo estrutural, o sincretismo entre tradição e modernidade – são assustadoramente familiares. Macondo poderia ser qualquer cidade do interior brasileiro. Os Buendía poderiam ser nossos vizinhos.

Mas o tema central é mesmo a solidão, explorada em múltiplas camadas. Há a solidão do poder, vivida pelo Coronel Aureliano Buendía que promove 32 guerras e as perde todas. Há a solidão do desejo impossível, como a de Amaranta que recusa o amor e depois sofre por ele. Há a solidão da loucura, da velhice, da obsessão, do exílio… Cada personagem carrega sua própria versão desse isolamento, mesmo cercado de família.
Gabriel García Márquez escreve com humor, ironia e uma generosidade narrativa impressionante. Ele não julga seus personagens – apenas os apresenta em toda sua humanidade falha e magnífica. A prosa é lírica sem ser pretensiosa, épica sem ser pomposa, trágica sem ser melodramática.
Vencedor do Nobel de Literatura em 1982, o autor colombiano criou não apenas um romance, mas um universo inteiro. Cem Anos de Solidão é um daqueles raros livros que mudam a literatura para sempre. É divertido quando precisa ser, devastador quando deve ser, e sempre, sempre inesquecível. Uma obra que merece cada elogio que recebeu e um lugar garantido em qualquer biblioteca que se preze.


