Você conquistou o universo conhecido, tornou-se um deus-imperador, suas visões do futuro te transformaram em profeta. E agora? Frank Herbert responde: agora você enfrenta as consequências. E elas são devastadoras.
Editora Aleph 
330 Páginas
Sinopse:
O livro revela mais profundamente o lado humano de Paul e de sua irmã, Alia Atreides. Embora vistos como seres dotados de capacidades sobrenaturais, ambos carregam dentro de si dúvidas e incertezas, medos e paixões. E apoiados nestas emoções, eles enfrentarão o propósito terrível de um audacioso grupo de conspiradores.
Na trama, doze anos se passaram desde a ascensão de Paul Atreis – ou Muad’Dib- ao trono. Arrakis tornou-se o centro do Imperium, a partir de onde os fremen se propagam a fim de levar sua filosofia e sua forma de governar aos planetas por eles conquistados. Os inevitáveis conflitos gerados por essa expansão fazem com que importantes facções contrárias ao imperador reúnam forças para detê-lo.
Messias de Duna pega onde o primeiro livro parou e faz algo corajoso – ao invés de celebrar a vitória de Paul Atreides, Herbert mostra o horror de ser um messias. O livro amplia magistralmente os debates sobre poder, religião e destino que começaram em Duna, mas agora com um peso existencial ainda maior. Paul não é mais o herói conquistador. Ele é uma vítima de suas próprias profecias.
A narrativa tem essa qualidade de épico grego, onde o protagonista vê exatamente o que vai acontecer mas é incapaz de impedir. As profecias se autorealizam não porque são mágicas, mas porque cada tentativa de evitá-las cria o caminho para sua concretização. É Édipo Rei em roupagem de ficção científica, e Herbert entende perfeitamente a tragédia que está contando.
Todavia, a escrita de Herbert aqui pode ser repetitiva. Ele revisita os mesmos temas internos de Paul várias vezes, suas angústias sobre o futuro e suas visões são reiteradas até a exaustão. Alguns leitores podem achar isso cansativo, sentindo que o livro poderia ser mais enxuto sem perder a essência.
Entretanto, essa repetição talvez seja proposital – a própria sensação de estar preso em um ciclo, como Paul está preso em suas visões. E quando os acontecimentos finalmente convergem para a conclusão da jornada do protagonista, o peso emocional é esmagador. A fluidez com que Herbert conduz Paul ao seu destino inevitável é de tirar o fôlego.
Messias de Duna não é sobre ação ou aventura. É sobre pagar o preço de ser lenda. É sobre descobrir que salvar o universo pode significar perder sua humanidade.


